Naquele dia eles não queriam graça um com o outro.
Como o outro dia e outros tantos.
Na jukebox, comprada a prestação, o tão querido Floyd.
Trilha sonora de tantas noites, tantas loucuras, tantas risadas, tantos orgasmos.
Vários deles em vários lugares.
A música tinha gosto de lembrança, de molhado, de sentimento. Era sinestésico.
Gostavam do gosto de pele. De suor. Do cheiro do outro.
A jukebox avançou. Não era mais Floyd. Agora, Yes!
Yes!
Eles se olharam e perceberam o quão idiota era aquela falta de graça.
A falta de graça era engraçada.
Cinco anos engraçados um ao outro.
Parecia ontem. Até os lençóis de solteiro da casa dos pais pareciam os mesmos.
A conversa começou devagar:
- Vamos?
- Não, mas eu te amo.
- Agora?
- Ontem!
Se abraçaram por longos minutos. O suficiente para que as mãos dessem lugar ao desejo.
Aos corpos, cama.
À cama, lençóis bagunçados, fora do lugar, travesseiros no chão, roupas espalhadas (metade delas ainda nas silhuetas).
Foi longo.
Foi rápido.
Foi (in)tenso.
Foi mágico.
Foi uma mistura de tudo e do todo todos os dias.
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