terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ambiguidade

Elas estavam bem cansadas.
O dia foi corrido.
Resolveram abrir um vinho para relaxar, isso funcionava.
Nunca viveram tão bem, tão seguras, tão confiantes.
Já já seria mais um ano juntas.
Já já estariam comemorando por antecipação.
Duas taças.
Três.
Quatro taças metade cheias, metade vazias.
O vinho agora era apenas um escrito na garrafa.

Uma chamou para a cama.
A outra, para o chuveiro.
Decidiram molhar a cama.
Ambiguidade.

2 comentários:

  1. RUBAIYAT
    Omar Khayyan

    Vinho faz perdoar a pena de viver.
    Bebe vinho! Vinho cor de rubi, vinho cor-de-rosa, vinho cor de sangue!

    Bebe vinho!
    Tens muitos sáculos para dormir.
    Vinho é amargo? Não importa! Tem o gosto da vida!
    Todos os reinos por uma taça de vinho precioso.

    Todos os livros e toda ciência dos homens por um perfume suave de vinho.
    Todos os hinos de amor pela canção do vinho que corre.
    Toda a glória de Feridoum pelos reflexos do vinho na ânfora.
    Bebo o vinho que me oferece uma linda rapariga e não cuido de minha salvação.

    Sempre ouço dissertar sobre os gozos reservados aos eleitos, limitando-me a dizer:
    Só tenho confiança no vinho.
    Bebe vinho!
    Só ele te dará a mocidade, ele é a vida eterna.

    Bebe um pouco de vinho porque dormirás muito tempo,
    debaixo da terra, sem amigo, sem camarada, sem mulher.
    Nosso amigo mais velho é o vinho mais novo.
    O vinho destrói os cuidados que nos atormentam e nos dá a quietude perfeita.


    Ouço dizer que os amantes do vinho serão castigados no inferno.
    Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno o paraíso deve estar vazio.
    Vinho! Eis o remédio que carece o meu coração doente.
    Vinho com perfume almiscarado! Vinho cor-de-rosa!

    Dá-me vinho para apagar o incêndio da minha tristeza.
    Bebe e esquece que o punho da tristeza breve te derrubará.
    Vinho! Vinho em torrentes! Que ele palpite em minha veias.
    Que ele borbulhe em minha cabeça!

    Quando bebo, ouço mesmo o que não me pode dizer a minha bem amada!
    Mais vale uma ânfora de vinho do que o poder, a glória e as riquezas.
    O vinho libertar-te-á das névoas do passado e das brumas do fututro.
    O vinho inundar-te-á de luz, livrando-te dos grilhões de prisioneiro.

    Quando Deus me criou sabia que eu beberia vinho.
    Se me tornasse abstêmio, sua ciência estaria errada.
    Trazei-me todo o vinho do Universo!
    Meu coração tem tantas feridas!…

    O vinho proporciona aos sábios uma embriaguez semelhante à dos eleitos.
    Dá-nos a mocidade, restitui-nos o que perdêramos, põe ao nosso alcance tudo o que desejamos.
    O vinho queima como torrente de fogo,
    mas, às vezes, tem sobre as nossas mágoas o efeito da água pura e fresca.

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